Procurar
Procurar

Consumo Colaborativo

Compartilhar, doar, trocar experiências ou conhecimentos. O chamado “consumo colaborativo” vem ganhando espaço como forma de atender necessidades, acessar e utilizar bens e viver experiências que antes passavam exclusivamente pela compra de produtos ou serviços. A inspiração surge do crescente valor atribuído à sustentabilidade, principalmente pelas gerações mais novas, embora a praticidade do novo modelo de consumo e as economias que resultam da sua prática sejam forças importantes que acabam engajando as pessoas em comportamentos colaborativos.

Identificamos no site “Filantropia” que o conceito surgiu em meio à crise econômica de 2009, nos Estados Unidos, que defrontou bolsos magros com bens em estado ocioso: apartamentos semi vazios de moradores com recursos em queda; carros sem uso durante boa parte do dia que utilizavam estacionamentos caros; livros e brinquedos já lidos e usados por quem almejava novos objetos sem ter como pagá-los.

O consumo colaborativo configura uma inovação na forma de comprar: ao invés de adquirir novos produtos ou serviços, os indivíduos podem procurar quem já os possua para alugá-los, trocá-los por outros bens ou emprestá-los por um período. Todos ganham. Quem emprestar ou alugar um carro, por exemplo, poupa despesas e garante um benefício parecido para si próprio no futuro. Quem aluga ou pede emprestado preenche sua necessidade sem arcar com o custo da compra e manutenção. Mas, os principais ganhadores são a sociedade e o meio ambiente: afinal, mais compartilhamento significa menos. Isso minimiza as grandes produções de bens, extração de recursos naturais e desperdícios.

Além do viés de sustentabilidade, a tendência do consumo colaborativo ainda tem potencial de estimular novos negócios fora da cadeia produtiva, porém inserida em uma cadeia social que torna o ciclo de consumo mais equilibrado e direto. Clubes de aluguel de automóveis, bicicletas, roupas, apartamentos e outros serviços ganham força e escala, abrindo passo a uma geração de novos empreendedores. Além de bens tangíveis, há a opção de moedas sociais e a troca de aprendizado, levando a uma ampliação dos conhecimentos e habilidades tal como ocorre, por exemplo, entre quem domina inglês e precisa reforço em matemática e vice-versa.

Uma pesquisa inédita realizada pelo instituto Market Analysis identificou que o conceito não é novidade para 20% dos consumidores brasileiros, mas ainda não é muito praticado no país – a incidência é de apenas 7%. O estudo ouviu 900 brasileiros adultos residentes nas principais capitais do país e revelou que estar familiarizado com o conceito faz aumentar a prática. Pelo menos 1 em cada 3 familiarizados praticaram alguma forma de consumo compartilhado nos últimos 12 meses, e tanto conhecimento como prática são maiores entre as pessoas de renda mais alta.

Por fim, trazendo esse contexto para as empresas, notamos que o consumo colaborativo pode ser muito bem usufruído pelos funcionários, compartilhando e trocando bens e conhecimentos sem que percebamos, o que de alguma forma está sendo apreciado por aqueles que estão à nossa volta. E isso faz parte do consumo colaborativo.